CLIO História - Biblioteca: Banco de Imagens: Temas: Paris em 1789
         
CLIO História
Prof. Almir Ribeiro
Banco de Imagens
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Outras imagens
Robespierre
Danton
A execução de Luis XVI
A prisão da família real
A reunião do Estados Gerais
Povo marcha sobre Versalhes
O rei é vestido com o barrete frígio

Charge: o Terceiro Estado

 
Leia:
Soboul, Albert "História da Revolução Francesa". 3ª ed., RJ, Zahar Editores, 1981
Lefebvre, Georges "O Grande Medo de 1789: Os Camponeses e a Revolução Francesa". RJ, Campus, 1979
idem "A Revolução Francesa". 2ª ed., SP, Ibrasa, 1989
idem "1789: O Surgimento da Revolução Francesa", RJ, Paz e Terra, 1989
Download:
A Revolução Francesa
Veja:
Danton - O Processo da Revolução (Danton, 82, FRA) Dir.: Andrzej Wajda. Com: Gérard Depardieu, Wojciech Pszoniak, Patrice Chéreau.

Noite de Varennes, A (Nuit de Varennes, La, 81, ITA/FRA) Dir.: Ettore Scola. Com: Marcello Mastroianni, Hanna Schygylla, Jean-Louis Barrault, Harvey Keitel.
 
Marcos Barrero
publicado originalmente na Revista "Sala de Aula"
 

P·A·R·I·S · E·M · 1·7·8·9

Joseph-Ignace Guillotin era um deputado condenado ao anonimato durante a Revolução Francesa. Sua ausência invariavelmente preenchia uma lacuna. Pouco se sabia sobre seu passado de jesuíta e médico. Mas em dezembro de 1789 - seis meses depois da queda da Bastilha - ele finalmente teve uma idéia. Ao longo de acalorados debates sobre a pena de morte, propôs o fim da decapitação. Afinal, não ficava bem cortar a cabeça dos inimigos com lâminas manuais - prática, de resto, herdada do Antigo Regime.
O deputado sugeriu outro instrumento, mais rápido e eficiente, para diminuir o sofrimento dos réus. Era uma afiadíssima máquina em uso na Itália. Se ela servia para cortar resmas de papel e aparar livros, também poderia fazer rolar muitas cabeças. Foi corte e queda. Chamada inicialmente de Louison, a engenhoca logo depois seria conhecida por guilhotina - uma homenagem ao seu obscuro padrinho.
Tantas fez a guilhotina que até o próprio Joseph-Ignace esteve perto de visitá-la. Livrou-se das acusações de adversário do governo e saiu da prisão um pouco antes. Na Paris de 1789, no entanto, a enorme lâmina era a cara da morte - e estava viva - em cada canto de praça. Houve centenas de execuções. Um dos locais prediletos dos revolucionários era a Praça Luís XV (número 1 no mapa) - rebatizada como Praça da Revolução a partir de 1793. Ali, a rainha Maria Antonieta, a Austríaca, subiu ao cadafalso dias depois de Luís XVI, seu marido. Os ruídos de carretas de prisioneiros pela rua Saint-Honoré, com destino à praça, faziam parte da vida cotidiana da cidade. Hoje, o lugar é chamado de Praça da Concórdia - uma agitada e trepidante área do centro da capital francesa, com trânsito pesado, luzes de néon e um gigantesco obelisco de 3.300 anos.
Não muito distante dali ficava o intrigante Palácio das Tuileries (número 2 no mapa), incendiado pela Comuna em 1871. Foi construído pela rainha Catarina de Médicis. Um bruxa da corte, porém, desaconselhou sua ocupação pela realeza. Viu urucubaca (em francês) ao consultar sua bola de cristal. E estava certo. A primeira vez que o palácio abriu suas portas foi para receber Luís XVI e sua família - presos pela Revolução. Em 1792, o rei empreendeu uma fuga por seus jardins, mas acabou recapturado. O amaldiçoado lugar serviu ainda de palco para batalhas sangrentas e a execução de toda uma guarda real. E, por fim, foi consumido pelas chamas da Comuna. Restaram apenas os jardins. Na verdade, um grande parque com longas e retas avenidas, projetado por Le Nôtre, o célebre jardineiro de Luís XIV. Ainda hoje situa-se num ponto privilegiado, ao lado do rio Sena, Museu do Louvre e Praça da Concórdia.
Mais acima, do outro lado da rua Saint-Honoré, está o Palácio Real (número 3 no mapa). Apesar do nome, os reis não viviam lá. O reduto da monarquia era o Palácio de Versailles, 24 km a sudoeste de Paris. O Palácio Real, a rigor, desempenhou inúmeros papéis desde que foi erguido no século 17 para servir de residência particular ao cardeal Richelieu. Atualmente, no entanto, nada ali faz lembrar seu inquieto passado. Abriga vários departamentos da administração municipal e sua praça atrai aposentados em busca de sol, mães, crianças e carrinhos de bebê. Um contingente - justiça seja feita - muito mais pacífico do que os inflamados grupos do tempo da Revolução. Naquela época, centenas de pessoas vinham de toda parte. Alguns cruzavam o Sena pela Pont-Neuf (número 4 no mapa) - ponte construída em 1607 e um dos símbolos de Paris - para participar das concentrações populares. Em volta do palácio havia também cafés, casas de jogos e prostituição. Ali, a opinião pública se manifestava com toda sua veemência. "Foi o centro da revolta", resumiu Marat. Verdade - os encontros, as reuniões, os discursos dos revolucionários aconteciam nesse palácio, levantado em forma de anfiteatro. "Muitos historiadores do período o descrevem como um circo", conta o professor de Filosofia Política da USP Milton Meira do Nascimento, autor de Opinião Pública e Revolução. "Era um lugar no qual a plebe promovia suas grandes concentrações."
Adiante da Pont-Neuf, na direção leste da cidade, aparece o Palácio da Justiça (número 5 no mapa). Ele integra, na verdade, um conjunto de prédios (os outros são a Saint Chapelle e a Concièrgerie), agrupados em torno de um pátio central. A partir de 1789, o local passou a funcionar como Tribunal Revolucionário. O edifício da Concièrgerie guarda uma longa história de sangue, tortura e morte. Ali foi executado Ravaillac (assassino de Henrique IV) e Damiens (o homem que tentou matar Luís XV). A própria Maria Antonieta permaneceu encarcerada numa de suas celas. Entre 1793 e 1794, a guilhotina caiu sobre o pescoço de 2.600 prisioneiros da Concièrgerie.

MULTIDÃO EM FÚRIA
Um rastro de sangue se espalhava por toda Paris de 1789. À frente do Hôtel de Ville (número 6 no mapa) - sede da Prefeitura desde 1357 e ainda agora utilizado para o mesmo fim - havia uma praia. Era o ponto de encontro de desempregados, grevistas e rebeldes. Daí seu nome - Praia da Greve. Mas suas areias também foram cenário de execuções revolucionárias.
Certo é que ninguém mais conteve o povo depois de 14 de julho de 1789. Naquele dia, sob céu encoberto, uma multidão em fúria marchou contra a antiga fortaleza da Bastilha (número 7 no mapa), uma obra do século 14. Ela simbolizava, para os franceses em geral e os parisienses em particular, uma prisão que misturava ladrões com aristocratas, como a Marquesa de Brinvilliers, e filósofos, como Voltaire. Mas, sobretudo, encerrava por trás de suas grades centenas de anônimas vítimas das arbitrariedades do Antigo Regime.
Era preciso destruí-la. Sim, não seria um ataque muito fácil. A fortaleza de oito torres redondas era protegida por muralhas e rodeada de perigosas fossas. O comandante da cidadela, De Launay, havia providenciado reforço. Além de convocar seus 82 soldados, pediu socorro a um destacamento suíço de 32 homens. Na noite de 12 para 13 de julho descarregou 250 barris de pólvora no pátio da prisão. A ordem era resistir.
Canhões apontavam para fora da Bastilha. Mas o que tinham a perder milhares de homens massacrados pela escalada da miséria, uma profunda desorganização e uma insustentável crise econômica? Alguns deles se lançam para as muralhas aos gritos de "queremos a Bastilha". Atrás, uma multidão repete o brado em coro. O artesão Louís Tournay sobe ao telhado da casa do corpo de guarda e salta para o pátio, armado com um machado. De Launay prefere morrer a se entregar. Corre para atear fogo na reserva de pólvora, mas é impedido por um de seus soldados. A guarnição não deseja esse fim. Em seguida, os soldados aparecem com lenços brancos agitados - a Bastilha se rende. Às cinco da tarde, eles abrem os portões para o povo. Houve quase seis horas de combate. As partes começam a contar seus heróis - de um lado, 98 populares mortos, sessenta feridos e treze mutilados; de outro, um soldado morto e três feridos. E a França nunca mais seria como antes.
Não fica pedra sobre pedra. A Bastilha é totalmente destruída. Outros locais, emblemas do Absolutismo, também são atacados. Uns terminam destruídos, outros são descaracterizados. A igreja de Notre-Dame (número 8 no mapa), por exemplo, tem a maioria de suas estátuas e pórticos derrubados. Alguns tesouros são saqueados. E se transforma no Templo da Razão - um culto que rompe radicalmente com o cristianismo, sob a inspiração de Robespierre, e instala uma espécie de religião difusa voltada para um novo e indefinido ser supremo. As 48 igrejas e os 141 conventos da Paris de 1789 ganham outra finalidade - centros de reuniões políticas. O Archevêché (arcebispado, número 9 no mapa) é utilizado como sede da Assembléia Constituinte imediatamente após a queda da Bastilha. Nem mesmo a igreja de Santa Genoveva, o chamado Panteão (número 10 no mapa), escapou. Virou um mausoléu para figuras ilustres. Ali, os vitoriosos reverenciavam as cinzas dos filósofos Voltaire e Rousseau, patronos da Revolução, e também expurgavam inimigos, como Marat, cujos restos acabaram levados para lugar incerto.
Foi numa Paris assim que desabou uma Revolução capaz de mudar a face do mundo. Uma cidade, enfim, que à época tinha dezesseis bairros, 29 hospitais, 22 mercados, dezesseis escolas, oito praças e 600.000 habitantes.

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