CLIO História - Biblioteca: Banco de Imagens: Temas: Nazismo
         
CLIO História
Prof. Almir Ribeiro
Banco de Imagens
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Roteiro:
1. Introdução
2. Apenas um passo
3. O efeito contrário
4. Imagens
5. Mais...
 

O · H·O·R·R·O·R · T·E·M · E·X·P·L·I·C·A·Ç·Ã·O

Quando se fala da 2ª Guerra Mundial, no cinema, na TV, nos jornais e nas revistas em quadrinhos, vem a tona o clássico museu de horrores. A escola não tem como escapar e, levada pela onda, veicula também frente a atônitos jovens a visão Boris Karloff da História. Eis como ela se resume: 1 350 000 toneladas de bombas despejadas, a maior parte sobre populações civis; 55 milhões de mortos; dezenas de cidades históricas reduzidas a pó com seus tesouros milenares; campos de extermínio e tortura; experiências científicas sádicas com porquinhos-da-índia humanos. Por toda parte fome e devastação, hordas de refugiados trêmulos, feridos e aleijados arrastando-se como espectros em busca de um inexistente abrigo.
A exibição desse painel, nas décadas de 50 e 60, incendiou e feriu a imaginação dos atuais quarentões. E, quando pedíamos uma explicação, a que nos davam era ainda mais absurda e sinistra: tudo isso fora por nada, só porque um pintor fracassado, com a cuca cheia de cerveja e frases de Nietzsche resolvera dominar o mundo. Graças a Deus, fora detido em tempo pela cruzada mundial das democracias (em cujas fileiras se incluíam Stalin e o nosso fascismo doméstico!). E o Bem, encarnado na forma de duas bombas atômicas, conseguira finalmente vencer o Mal.
Mas o professor secundário, que afinal é um educador e não um encenador de história de Drácula, bem pode deixar para a TV e os filmes essa versão: inspirada em louváveis propósitos de propaganda antinazista, ela tem efeitos letais sobre a inteligência juvenil, que, ao ver fatos grandiosos e horrendos boiando no vácuo da mais inexplicável gratuidade, não pode deixar de concluir que o mundo dos adultos é, em si mesmo, tão doido quanto o sonho nazista de dominá-lo. Qualquer primeiranista de Psicologia conhece o efeito hipnótico e fascinante do horror exibido sem explicação. E qualquer educador que tenha dois grãos de sensatez poderá, numa aula sobre 2ª Guerra Mundial, obter um resultado melhor do que levar involuntariamente os alunos à convicção de que Hitler, afinal, como o próprio Drácula, talvez tivesse lá seus encantos. Aliás, ele não bebia nem fumava e era vegetariano, o que o torna ainda mais simpático a certas mentalidades.
Mas como fazer? Como encontrar, sob o aranhol de maldades e loucuras, o fio sutilíssimo de alguma razão de ser, que, sem desculpar o crime moral, atenue ao menos a impressão de absurdidade lógica do que fizeram os alemães? Quem nos dá a Hitler em revistapista é um outro alemão, o historiador e economista Max Weber (um dos mentores da República liberal de Weimar, destruída pelo nazistas). Diante da confusão dos fatos históricos, dizia Weber, é preciso buscar a intenção que os homens tinham e o significado que, certo ou errado, atribuíam ao que faziam. Aí até um Hitler pode aparecer reduzido a proporções humanas e compreensíveis (loco si, pero no tonto, como diria Cervantes) e despido da aura satânica que, numa época de rebelião generalizada contra a divindade, só faz dignificá-lo.
Que é que Hitler queria? Após cinco décadas de pesquisas, seus planos são hoje bem conhecidos. Hitler havia estudado História - o bastante para conhecer as advertências que, desde o século passado, anunciavam o fim próximo do domínio europeu e a emergência de novos poderes. "Durante os anos intermediários do século 19", afirma o historiador britânico Geoffrey Barraclough, "escritor após escritor predissera a decadência da Europa e a ascensão da Rússia e dos Estados Unidos como as duas grandes potências mundiais." A expansão industrial desses dois países, de 1890 a 1914, ultrapassou a de seus rivais europeus, parecendo confirmar a previsão, a qual, em 1918, com o sucesso do livro de Oswald Spengler, A Decadência do Ocidente (que teve entre seus assustadíssimos leitores o jovem Adolf Hitler), saiu do círculo dos estudiosos para tornar-se lugar-comum e alimentar o debate político.

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