OS
MISTÉRIOS DA MOEDA¹
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| Os agiotas, de Marinus Van Reymerswael,
pintor da escola holandesa (século
XVI). |
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Muito
cedo, na história da humanidade, surgiu
a necessidade de um instrumento monetário
que servisse como intermediário nas trocas,
como medida e reserva de valor. Segundo diferentes
épocas e regiões esse instrumetno
teve diversos suportes materiais: plumas, conchas,
grãos de cacau, ouro ou prata. Suas funções
também se diversificaram: a moeda permitiu
contar, pagar e poupar, mas também expressar
o preço dos bens e o valor dos serviços,
além de saldas dívidas. Finalmente,
terminou por traduzir o grau de confiança
que se depositiva na organização
social da comunidade.
Mas
a moeda, se resolve alguns problemas, também
cria outros. Gera seus próprios paradoxos.
Instaura um espaço social homogêneo
e coerente - o mercado - mas cria dentro desse
espaço desigualdades, ou seja, uma hierarquia
econômica. Definea riqueza e, de forma indissociável,
a pobreza. Converte-se em atributo do poder, mas
também num meio para impugná-lo.
Estabelece as fronteiras de um território
monetário, para abri-lo imediatamente aos
mercados internacionais...
Vilipendiada
pelos moralistas, rejeitada pelos utopistas, às
vezes ignorada até pelos economistas, a
moeda está, porém, onipresente em
nossa realidade cotidiana. Ao facilitar o intercâmbio
e liberar a economia, ela contribuiu para alguns
decisivios avanços da civilização.
Nosso propósito é expor algumas
das grandes etapas que demarcaram seu passado,
a fim de que se compreenda com maior clareza sua
função no presente. |